14 de janeiro de 2012

Fisioterapia Para a Terceira Idade



A cabeça quer, mas o corpo não acompanha. Quem, depois de certa idade, já não teve esta sensação? Com o aumento da expectativa de vida, os idosos formam hoje o segmento que mais cresce no Brasil e, com eles, a demanda por serviços de saúde para atender necessidades específicas desta faixa etária, já que o envelhecimento provoca algumas perdas significativas em relação ao nosso corpo. O que, não necessariamente, implica perda de qualidade de vida.

Uma das áreas que têm acompanhado este aumento de demanda é a fisioterapia, ciência que estuda o movimento do corpo humano e que utiliza recursos terapêuticos com a finalidade de recuperar e preservar a função ou, quando não é possível, adiar a instalação de incapacidades físicas. Se antes a fisioterapia estava muito vinculada à ortopedia, hoje atua em todas as áreas da medicina e subdivide-se em especialidades. A fisioterapia para idosos é uma delas.

O objetivo do fisioterapeuta que cuida do idoso é promover a independência nas tarefas básicas e funcionais do dia a dia, possibilitando a melhoria da mobilidade e da qualidade de vida", explica a fisioterapeuta Walcília Cecília Valery de Almeida, da Clínica Espaço Saúde, e que faz atendimento domiciliar para idosos.

Segundo ela, são várias as situações que exigem tratamento fisioterápico, desde problemas decorrentes de quedas a doenças neurológicas e degenerativas. "A fisioterapia atua tanto na prevenção quanto na recuperação destas patologias. No caso de doenças degenerativas, é possível retardar a evolução, estabilizando o quadro por mais tempo".

Dependendo do caso, o profissional trabalha com reforço muscular, alongamento, coordenação, equilíbrio, respiração e outros movimentos. "É preciso respeitar a individualidade de cada caso, mas, de modo geral, percebemos que melhorando a mobilidade há uma melhora na autoestima, na relação tato e contato".
Não há mágicas
Disciplina e persistência é a chave do sucesso de qualquer tratamento fisioterápico, esclarece Walcília Almeida. "O resultado do tratamento depende muito da colaboração do paciente. É preciso ser disciplinado e seguir as recomendações do fisioterapeuta".

Enquanto muitas pessoas relaxam na hora de repetir em casa os exercícios que fazem na clínica, os idosos são bastante participativos, conta a fisioterapeuta. "Eles contribuem, valorizam o trabalho e não admitem atraso, falta. São metódicos, não gostam de mexer no horário".

Além de ser mais confortável para o paciente, que não precisa se deslocar de casa para receber o tratamento (muitos não têm nem quem os leve), a fisioterapia domiciliar permite também ao profissional observar o ambiente em que o idoso vive e interferir com mais eficácia nas atividades desenvolvidas em seu cotidiano. São adaptações que visam facilitar a vida do idoso e prevenir acidentes domésticos.
O peso dos anos
Com o envelhecimento aumenta a vulnerabilidade físico-funcional e a fragilidade do corpo. Em consequência, aumenta a propensão a adquirir algumas patologias como osteoporose (enfraquecimento dos ossos), artroses (degeneração articular), incontinência urinária, diabetes, hipertensão arterial, o que pode ocasionar problemas de coração e acidente vascular cerebral (derrame). Ocorre também um maior aparecimento de doenças degenerativas como Parkinson e Alzheimer e, devido às alterações biológicas, os idosos ficam mais vulneráveis às quedas.

Segundo a fisioterapeuta, muitas vezes a causa da dor nos braços, pernas, mão ou pé pode estar em uma alteração no posicionamento da coluna. "Toda inervação da coluna é responsável por um movimento. Se a coluna estiver desalinhada vai desalinhar o quadril, afetando o joelho, o que aumenta a tendência de falsear na caminhada, podendo ocorrer torção no tornozelo e inflamações no pé que levam à fascite plantar e/ou esporão de calcâneo".
Além da idade, a má postura está na causa das dores nas costas - esclarece Walcília. "Por isso é necessário corrigir a postura com exercícios de fortalecimento da musculatura e de alongamento e o uso de aparelhos que ajudam na regeneração do tecido".

É o caso de dona Cecília Tagé Dias, 86 anos, que chegou à clínica na terça-feira, dia 9, com queixa de dor aguda nas costas e dificuldade de movimentar o braço direito. Há seis anos a idosa fraturou o fêmur, hoje usa bengala e conta que faz um tempo que vinha sentindo a dor, mas só procurou um médico quando ficou insuportável. "Há duas noites não consigo nem dormir".
Principais aplicações
A fisioterapeuta Walcília Almeida explica que a avaliação física dessas pessoas precisa ser bastante cuidadosa, pois, embora o trabalho seja o mesmo, é preciso aplicá-lo com mais cautela, respeitando as limitações do corpo e o grau de resistência à fadiga. "Mas sempre haverá uma atividade física capaz de beneficiar o paciente idoso", enfatiza a profissional, que, além das manobras terapêuticas, utiliza os espaços da própria residência ou a praia, caso a pessoa more próximo, para fazer caminhada associada à respiração, sobe e desce escada, orientação quanto ao tempo e espaço, que pode ficar prejudicada por alguma doença.

Problemas osteoarticulares e musculares - Num caso ortopédico, a fisioterapia estuda como determinado movimento é responsável pelo aparecimento de um problema. Por isso, é importante procurar um médico assim que perceber algum problema ou dor persistente, evitando que evolua para um quadro de maior gravidade. "Uma ostepenia (perda de massa óssea) que não é cuidada pode virar uma osteoporose, osteoartrose, espondilose (escorregamento do disco). Os ossos enfraquecidos levam às quedas, com riscos de fraturas de fêmur, coluna, punho", alerta.

A área respiratória - A reabilitação pulmonar também é importante para o idoso que poderá aumentar sua capacidade pulmonar ocasionando um gasto menor de energia para as atividades do dia a dia e maior disposição. São muito beneficiados os pacientes com problemas pulmonares crônicos, os asmáticos, os pacientes acamados, tabagistas e cardíacos.

AVC - Dependendo do tipo de acidente vascular cerebral - transitório, isquêmico ou hemorrágico -, a fisioterapia pode recuperar as funções afetadas ou minimizar as sequelas, trabalhando especificamente a parte motora.

Pacientes com Alzheimer e Parkinson - Apesar de não ter poder preventivo nem curativo, a fisioterapia é importante para diminuir a progressão de doenças degenerativas e evolutivas. No caso de Alzheimer, embora na fase leve a doença atinja apenas a parte cognitiva e comportamental do doente, os exercícios podem minimizar quedas, danos motores e prolongar a independência dos pacientes.

OBSERVAÇÃO: SEMPRE QUE POSSÍVEL PROCURAR TRATAMENTO COM PROFISSIONAL QUALIFICADO E HABILITADO NO CUIDADO COM A PESSOA IDOSA.