23 de fevereiro de 2012

DOENÇA DE ALZHEIMER-AVALIAÇÃO FUNCIONAL NAS FASES MODERADA E GRAVE.

Estudos têm documentado padrões de progressão dos sintomas que ocorrem na maioria dos indivíduos com a DA.Dessa forma surgiram vários métodos de " estagiar " a doença.
Modelos de estagiamento fornecem estruturas úteis de referência para o entendimento de como a doença pode evoluir, sendo importante para planejamentos futuros.
Sabe-se que a evolução da doença não progride linearmente, ocorrendo não só variabilidade entre os indivíduos, mas também o mesmo indivíduo pode apresentar variações de progressão ao longo do tempo.

Abaixo as Fases Moderada e Grave da DA:
  • FASE MODERADA:
          -Incapaz de dizer, durante uma entrevista médica, fatos importantes, como seu endereço, número de telefone ou escola em que foi graduado.
          -Apresenta desorientação temporal e espacial, tendo dificuldade em dizer onde se encontra, qual o dia do mês ou dia da semana.
          -Tem dificuldade na realização de operações matemáticas simples.
          -Necessita de ajuda para escolher a roupa mais apropriada para a estação ou ocasião.
          -Apresenta recusa e ou dificuldades com a higiene pessoal
          -Normalmente, retém conhecimento sobre si mesmo,sabendo o próprio nome, nome do cônjuge e dos filhos.
          -Usualmente, não necessita de auxílio para alimentar-se mas, frequentemente precisa de supervisão ou auxílio para usar o banheiro.
   
  • FASE GRAVE:
       -Perde experiências recentes ou fatos que ocorrem ao seu redor.
       -Incapaz de contar a sua história perfeitamente.
       -Necessita de ajuda para vestir-se adequadamente.Sem supervisão pode cometer erros.
       -Necessita de auxílio para higiene pessoal.
       -Apresenta episódios frequentes de incontinência urinária e fecal.
       -Desenvolve alterações significativas de personalidade e comportamento, incluindo delírios e alucinações, compulsões.Tende a ter impersitência motora e a se perder.
       -Posteriormente, todos esses sintomas se acentuam.Perdem a capacidade de reconhecer a fala, os distúrbios funcionais pioram, perdem a capacidade de andar sem assistência, de sentar sem apoio, de sorrir ou manter a cabeça ereta.

Investigar a dependência funcional em portadores de DA nas fases moderada e grave tem relevância para a prática clínica dado que perdas funcionais podem estar associadas aos déficitis cognitivos presentes neste tipo de doença neurológica.

Vários são os modelos de instrumentos de avaliação funcional utilizados em populações de idosos.São escalas psicométricas para medir diferentes níveis de dependências funcionais voltadas tanto para cognição quanto para humor e comportamento,bem como as implicações que estas duas subdimensões podem trazer em prejuízo para a manutenção da independência funcional destes pacientes.

Neste texto optei pela escolha de duas escalas: a primeira mensura as dependências para execução das AIVDs(atividades instrumentais de vida diária)-ESCALA DE PFEFFER; a segunda para as AVDs(atividades de vida diária)-ÍNDICE DE KATZ.

O ÍNDICE DE KATZ é uma escala para mensurar as AVDs básicas que envolvem o autocuidado,tais como: asseio, banho, vestuário, alimentação, capacidade de ir ao banheiro e mobilização.

A ESCALA DE PFEFFER destina-se a mensurar as dependências para as AIVDs, como gerenciamento de finanças, compras, serviços domésticos, entre outras.

Neste ponto, é de fundamental importância que os profissionais que acompanham pacientes com DA, especialmente em fase moderada, encaminhem seus clientes para avaliação funcional criteriosa, tendo em mente que, por meio desta avaliação, estes pacientes poderão se beneficiar de manejos não farmacológicos por meio de abordagens cognitivo-comportamentais que, se associadas a medicações específicas-terapia combinada- e fisioterapia, poderão beneficiar não apenas a cognição, mas a função e comportamento destas pessoas melhorando, consequentemente, sua qualidade de vida e a de seus cuidadores.